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Reportagem sobre os EUA deu prêmio latino-americano a Celeste Orozco

28.09.14 | Notícias
A jornalista argentina, Celeste Orozco,  recebendo prêmio de melhor reportagem no IV Premio Latinoamericano de Periodismo sobre Drogas

A jornalista argentina Celeste Orozco, recebendo prêmio de melhor reportagem no IV Prêmio Latino-Americano de Periodismo sobre Drogas

 

No início desse mês aconteceu a premiação do IV Prêmio Latino-Americano de Periodismo sobre Drogas, na V Conferência Latino-Americana sobre Políticas de Drogas, na Costa Rica. O prêmio, que serviu de inspiração para a realização do Prêmio Gilberto Velho Mídia e Drogas, teve como vencedora a jornalista argentina Celeste Orozco, com a reportagem “Fórmula magistral: Dispensarios y cannabis medicinal em California”, publicada na revista THC.

Além de jornalista da revista THC e ganhadora do maior prêmio de jornalismo sobre drogas da América Latina, Celeste também é crítica de gastronomia na revista A la Carta e editora de conteúdo da revista Joy. A socióloga Julita Lemgruber, idealizadora do Prêmio Gilberto Velho Mídia e Drogas e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, participou da Conferência, como integrante do Comitê Científico. Após a premiação, Julita entrevistou a jornalista argentina para saber mais sobre a reportagem vencedora.

Leia abaixo a íntegra.

Julita: Por que você considera esse prêmio importante?

Celeste: Em primeiro lugar, porque são temas que não são abordados atualmente pela imprensa e quando são o foco é na violência, as reportagens criminalizam os usuários de drogas e os ativistas e militantes, que brigam para terem melhores condições de acesso e de proteção para os que escolhem usar drogas. A reportagem que escrevi fala especificamente sobre a Califórnia, que é um dos Estados americanos que tem maior tempo de uso da cannabis com finalidade medicinal. Na América Latina, onde temos uma reserva em relação aos Estados Unidos e suas políticas, acredito que a reportagem apresenta aspectos dos  Estados Unidos que as pessoas querem conhecer.

Julita: Como você decidiu fazer esta reportagem?

Celeste: Trabalho há dez anos em uma revista argentina que aborda temas relacionados às drogas, especificamente a cannabis, a THC. Este foi um projeto meio pessoal e meio da revista, eu viajei para os Estados Unidos porque um amigo argentino, que não é jornalista, tinha viajado para Califórnia e chegou contando todas essas histórias. Tive vontade de viajar e escrever sobre o tema e assim juntei este interesse com meu trabalho.

Julita: Você ficou na Califórnia por quanto tempo?

Celeste: Viajei  por mais ou menos três meses, não só pela Califórnia, mas também em Washington e no Colorado, porque foi justamente quando houve legalização da cannabis nesses dois Estados.  Assim, também acompanhei os dois processos de votação. [A série de Celeste Orozco pode ser lida aqui]

Julita: Quando foi que você mandou? A reportagem foi publicada quando?

Celeste: Em abril desse ano, como parte de uma série de cinco  reportagens sobre os Estados Unidos. Para o prêmio, enviei a última. Foi muito difícil escolher, mas achei a mais completa. Quando enviei, pensei que por ser um prêmio latino-americano e minha reportagem discutir os Estados Unidos, não teria muitas possibilidades de ganhar. Quando soube do resultado fiquei muito feliz, em parte também pela revista, pois a fazemos com muita responsabilidade e carinho há muitos anos.