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Neurocientista americano Carl Hart levanta novo olhar sobre as drogas em visita ao Brasil

21.07.14 | Notícias

CarlH21

O vício em drogas é efeito de um mundo doente, não a causa. É dessa premissa que parte as pesquisas do neurocientista Carl Hart sobre os hábitos de uso e abuso de drogas, em especial o crack, seus estudos questionam o senso comum. Hart veio ao Brasil pela primeira vez a convite do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Cândido Mendes para participar de conferências, conhecer usuários de crack, a realidade social do país e lançar a edição brasileira de seu livro “Um Preço Muito Alto”.

Professor da Universidade de Columbia, em Nova York, Carl Hart conduziu pesquisas com uma abordagem diferenciada, levando em conta ciência, política e sociedade para compreender o “problema das drogas”. Dessa forma, por meio de experimentos em seu laboratório, Hart percebeu que quando somente drogas eram oferecidas para cobaias, elas aceitavam e por vezes se viciavam, mas quando elas tinham outras opções, muitas vezes não escolhiam as drogas e sim a outra opção.

O grande problema não está nas drogas, mas na falta de alternativas, está na pobreza, na miséria, na falta de perspectiva, de moradia, de oportunidades. Ao comparar o “problema do crack” do Brasil com o dos Estados Unidos dos anos 80, Hart percebe a repetição dos mesmos equívocos. “Depois de duas décadas, ficou claro que o uso de crack era mero sintoma de problemas maiores como dificuldades econômicas, falta de oportunidade e de educação. O Brasil está repetindo os erros dos EUA.”.
 
Como defensor da descriminalização das drogas, Hart acredita que os usuários de drogas precisam de oportunidades e atenção, não de cadeia. O dinheiro que é gasto para encarcerar usuários poderia ser utilizado para investir em iniciativas que realmente fossem solucionar os problemas sociais. A intenção da visita de Carl Hart ao Brasil é de chamar atenção para a realidade do país, estimular um debate crítico sobre as drogas e oferecer uma educação básica para o público, de forma a combater a desinformação e os mitos sobre as drogas. 

por Daniella Vianna